terça-feira, maio 22, 2001

Gaiman, Fnac, Confusão e Frustração

Por Miyasa

Ontem eu disse para todos que conheço (um mundaréu, praticamente toda São Paulo): OBA! Amanha vou conhecer o Gaiman, apertar sua mão, pegar autógrafos, e dizer "thank you". Fui com minha mãe, afinal, ela também curte quadrinhos e tem uma coleção de Sandman (tal mãe, tal filho).

Foi uma viajem difícil e cansativa, pois alem de sairmos tarde do trampo dela, erramos o caminho e só chegamos às oito. Mas chegamos.

Estávamos alegres, eufóricos e com uma Morte - encadernação de luxo em inglês, algo de babar. Além de Sandman e Morte, outras personagens estavam presentes conosco, como Desejo e Delírio. Pude senti-las. Fomos com o passo apertado, mas certos de que iríamos nos encontrar com nosso ídolo, afinal essas coisas são sempre enroladas, atrasam, a fila é grande e, como dizia no folheto, NÃO ERA NECESSÁRIO RETIRAR INGRESSOS, o que facilitaria nossa vida. Ao chegarmos, deparamos com uma fila que descia escadas. Procurando o final da mesma, acabamos encontrando o resto do pessoal da MEDI e, após devidas cerimônias e fitas de animes na bolsa, nos dirigimos para a fila. Foi aí que veio a bomba de Hiroshima. O Holocausto. A Guerra dos 100 anos.

Uma velha esguia, vulgar, rastejante veio bufando e exalando seu mau cheiro como um demônio saído de Spawn e vociferou:

- VOCÊS TÊM SENHA?
- O quê?
- Senha. Vocês tiraram a senha?
- Senha?
- Se não tem senha, não tem autógrafos.

Oh, céus! Deus é testemunha do sentimento aterrador que aquelas palavras causaram. Palavras cruéis e inimigas dos fãs de quadrinhos. Palavras que nos separaram para sempre da chance de conhecer nosso ídolo, nosso mentor, nosso mestre dos sonhos. Insistimos. Brigamos. Brincamos. Protestamos. Mas nada adiantou. A velha esguia e vulgar, agora acompanhada de seus cupinchas demoníacos, estava mesmo disposta a destruir nossos sonhos, que Lorde Morpheus nos preparou com tanto carinho. "Ele ainda vai pegar o vôo para Buenos Aires esta noite", disse o gárgula da escada rolante.

Será que vale a pena algo tão mal organizado, favorecendo apenas uma minoria e esculachando os demais? Será que valeu a pena arrastar tantos fãs pra loja à toa? Se ao menos avisassem que seria algo limitado a poucos... Pra ficar mais inusitado, criaram caso com a brincadeira dos companheiros da MEDI, que exibiam um cartaz dizendo que estaríamos vendendo os autógrafos. Ainda bem que saí de fininho e ninguém me viu com eles neste momento, nunca os vi mais gordos. Ora, tenho um nome a zelar.

Ainda veio uma amiga dos malucos, a judiar mais ainda destes pobres diabos sem autógrafos, exibindo a assinatura em português com os dizeres: Bons sonhos.

O que mais revolta nisso tudo é que não pude sequer ver o rosto do homem. Minha mãe, se sentindo mal e ameaçada pela presença de hostes inimigas, me pressionou e fomos embora. Ainda não sei se os outros Malucos Endiabrados conseguiram algo além da bronca. Na volta, além da euforia, também acabou-se o dinheiro suado, Destruição quase apareceu em cena e Destino revela-se ter nos pregado uma peça. Apenas restou a Decepção - personagem novo e desconhecido na trama - um bom caminho a percorrer, e a esperança de que um dia o mestre dos sonhos nos prepare um sonho como este novamente, mas que não se torne um pesadelo.

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