quinta-feira, fevereiro 19, 2004

©ópia ®egistrada

Por Jubi

audações pessoal. Há muito tempo não me surgia uma inspiração para escrever. E eis que a luz no fim do túnel aparece. E como ano novo, significa vida nova, inovarei começando por contar uma história.

Era uma vez um rapaz, que desenhava historinhas pornôs e fazia letreiramento em HQs. Só que não satisfeito com a grana que ganhava com os dois empregos, resolveu também ganhar dinheiro no mercado americano. Só que o sacana não sabia desenhar direito e ganhava money às custas de um outro desenhista super famoso.

- - - PAUSA! - - -

Essa história lhe pareceu familiar? Parece quem? Roger Cruz...? Ah, sim, aquele que é amado por uns, odiado por outros... sei, sei. Calma... Não pretendo de início, falar de sua vida pessoal, nem nada similar. E sim das polêmicas que o rondavam: xerox, fotocópia sem direitos autorais, etc.

Vamos dar um tempinho aos xingos e vamos às justificações. Ele copiava desenhos do Joe Madureira? Sim. Não adianta tentar botar panos quentes. Acontece que ele teve azar. Já ouviu falar no Mike Deodato? Aquele que "inovou" a Mulher Maravilha... lembra-se? Pois então. Em algumas entrevistas para revistas, ele declarou que "se inspirou" nos desenhos do Jim Lee para fazer a dita cuja. Aliás, só um cego para não ver. Porém, não sendo bobo nem nada, em uma outra entrevista para a TV ele disse que ficara olhando por horas as mulheres na praia e do corpo "maravilhoso" das brasileiras e então como "referência", usou as beldades e... o resto já conhecemos. E então, chegou à alguma conclusão? É, né? Que o Deodato é um falso, que o Roger é um cara-de-pau...

- - - PAUSA! - - -

Vamos fazer o seguinte: vou contar a mesma história de uma maneira diferente.

Era uma vez, um rapaz que descobriu um jeitinho de ganhar grana. Não era muita, não o faria milionário (afinal, não era o Silvio Santos), tampouco famoso. Mas era melhor do que continuar fazendo letreiramento anônimo em HQ e melhor do que as HQs pornôs que fazia como bico. Então o rapaz começou a fazer HQ americana, ganhando um dinheiro legal e uma fama inesperada. E copiou alguns desenhos, qual o problema? Afinal, neste mundo nada se cria...

- - - PAUSA! - - -

Pois então. Há algum tempo atrás, vários sites promoviam chats com o Roger Cruz e em sua maioria, pude perceber uma "falta de simancol" da parte dos fãs quando perguntavam:

" - Ei, Roger é verdade que o Wolverine vai morrer e a Jean vai se suicidar e..."
" - Roger, eu adoro o X-Men, por que você não fala pro roteirista que fica melhor se..."
" - Por que o Surfista Prateado não faz xixi?"

E o convidado, sempre com educação, (ou falsidade?) respondia:

" - Olha fulano, eu não acompanho as revistas dos X-Men"
" - Ciclano, não tenho muito contato com os roteiristas, não participo da criação do roteiro e..."
" - ... "

Acompanhei várias entrevistas em revistas que o Roger C. cedia, e em praticamente todas, sempre deixou claro que a intenção dele nunca foi ficar famoso desenhando heróis. Ele nunca foi chegado na coisa. Muito pelo contrário. O estilo que sempre gostou de adotar era o cartum e seu ídolo é o Laerte. Já vi alguns fãs reclamarem dizendo que ele é meio frio, distante. Por que isso? Oras, simplesmente porque seus fãs lhe perguntavam sobre os X-MEN e ele sempre respondia não estar a par do assunto, sempre tratando daqueles trabalhos como "ganha-pão", e não como um hobby, uma coisa REALMENTE prazerosa de ser feita. Isso não quer dizer que não gosta do que faz, mas sim que se pudesse fazer de uma forma diferente, seria melhor.

Alguém já leu alguma história do Roger? Eu tive a sorte e satisfação. E para que possam me ajudar a julgar, escaneei uma história curta da extinta revista Metal Pesado. Como roteirista, em minha singela opinião, o rapaz não faz feio e arte é originalíssima e muito boa. Sem rasgação de seda.

E agradecendo a paciência dos leitores, gostaria de finalizar com uma outra historinha:

(resumida e tirada de um livro) Era uma vez, uma luneta, que mostrava a verdadeira alma das pessoas. Sempre que as mesmas olhavam por ela e a apontavam para alguma pessoa, esta mostrava o quão ruim ou o quão boa era ela. Até que certa vez, uma pessoa olhou para uma mulher que havia sido visto antes como má por um homem. E viu como essa mulher era bondosa. No final, a luneta mostrava a verdadeira alma de quem olhava por ela, e não de quem era visto.