quarta-feira, outubro 26, 2005

Pacotinho de Gibis #03

Por Ricardo Bittencourt

Toda semana, reviews dos gibis que o Ricbit leu. Você está avisado de antemão que os reviews podem conter spoilers, mas eu não pego pesado neles. As notas são as seguintes:

[DUCA] Esse é muito bom, compre a versão nacional quando sair.
[BOM] Esse é melhor que a média, o que é difícil, considerando a média.
[OK] Esse é minimamente legível, mas não compre, pegue emprestado.
[RUIM] Me arrependi de ter perdido tempo com isso.

Superman Annual #11 (1985)

[DUCA] Peça pra qualquer conhecedor de quadrinhos pra nomear as cinco melhores histórias do Superman, fatalmente essa vai estar entre elas. "For the man who has everything" foi escrito pelo Alan Moore e desenhado pelo Dave Gibbons, a mesma dupla de Watchmen. E isso fica bem claro na história, aqui os dois ainda estavam começando a brincar com quadrinhos americanos, e tem muita experimentação em caminho. A transição da página 5 para a 6 é puro Watchman, com um diálogo que começa numa cena e termina na cena seguinte. Na trama, é aniversário do Superman, e seus melhores amigos, Batman e Mulher-Maravilha, vão o visitar em sua Fortaleza da Solidão. Mas Mongul consegue se infiltrar na festinha, e tem um plano perfeito: ele gruda no Superman uma planta que deixa o hospedeiro paralisado e preso num mundo onírico, onde seus maiores sonhos se realizam. Se o hospedeiro não consegue se soltar, fica preso pra sempre, Mongul ganha. Se o hospedeiro se soltar, ele vai estar dando adeus para seus maiores sonhos, um trauma terrível, e Mongul também ganha. Para derrotar o vilão, os três heróis precisam juntar suas forças e agir em equipe, numa história que ecoa os temas que definem a Silver Age of Comics.

Infinite Crisis #1

[DUCA - review longo] Fast forward pra 2005, quando sai o primeiro número de Infinite Crisis. Antes de começar, preciso confessar que sou fã da Crise nas Infinitas Terras original. Foi uma história com muita interferência editorial, cheia de contradições, mas foi um épico que marcou seu lugar na história dos quadrinhos. Em parte, porque ela foi contra uma das convenções do gênero: que as histórias de super-heróis não podem ter fim. Não foi assim com a Crise. Sabendo que o universo DC ia rebootar no mês seguinte, os escritores puderam se dar ao luxo de fazer uma história final, que encerrasse as vidas daqueles heróis da Silver Age, muitos deles morrendo, outros se aposentando, e tudo isso no meio de uma batalha não pelo planeta, nem pelo universo, mas pelo multiverso inteiro. Crise teve um escopo enorme, e, exatamente por isso, ninguém conseguiu fazer uma seqüência decente pra ela. Coisas como foram apenas medíocres, e eu não esperava muito de Infinite Crisis também, até mesmo porque os prelúdios da série (como Zero HourIdentity Crisis e Countdown) estavam apenas reforçando o que havia de pior na DC pós-crise: heróis violentos, sem compaixão, sem o espírito nobre que havia pré-Crise.

Basta relembrar um dos prelúdios, The OMAC Project. Na história, Max Lord controla mentalmente o Superman e faz ele dar uma surra no Batman, não apenas uma sova, mas um belo de um cacete. Logo em seguida ele ordena que Superman faça o mesmo com a Mulher Maravilha, mas ela corta o mal pela raiz, matando o Max Lord, a sangue frio. Isso deixou os três heróis não apenas brigados, mas de relações cortadas. Como confiar um no outro após isso? Em Infinite Crsis #1, os três vão para a base da JLA na Lua tentar resolver suas diferenças, mas eles não se entendem. E pior, Mongul dá um jeito de se inflitrar, e os três perdem mais tempo discutindo entre si que lutando contra o vilão, que acaba escapando no final.

Pra quem leu "for the man who has everything", é como se o universo atual fosse o mundo bizarro do universo DC pré-crise. As duas histórias tem os mesmos eventos chave, mas se desenrolam de maneiras opostas. Pra quem gosta do universo pré-crise, essa história é praticamente um insulto. E era exatamente o que os escritores queriam fazer!

Pois no universo DC ainda há um personagem pré-crise. Vendo de longe o que está acontecendo, Kal-L, Superman da Terra-2, se revolta e sai de seu pocket universe pra tirar satisfações com esses heróis de merda que estão no universo regular! Pra quem não lembra, no final da Crise nas Infinitas Terras original, Kal-L da Terra 2 e Superboy da Terra-Prime se exilaram num pocket universe, vendo que no universo unificado pós-crise não havia espaço pra mais de um Superman. Mas, ao ver que o Superman que ficou é um banana, nada mais natural que eles se revoltem e tentem consertar o que pra eles foi um erro.

Isso foi uma puta sacada, e justifica completamente os dois últimos anos de gibis da DC. Quem tentou continuar a Crise apenas emulando seu escopo, como Zero Hour, falhou. A abordagem de continuar a Crise contrapondo os valores dos heróis de então com os atuais é muito mais inteligente. E, para melhorar o clima de continuação, a arte é muito evocativa da Crise original. A capa é do próprio George Perez, e o interior é feito pelo Phil Jimenez, que se bobear é o único desenhista de quadrinhso que está à altura do Perez na quantidade de detalhe. O desenho está tão bom, que dá até a impressão que foi feito numa folha duas vezes maior e depois reduzido. E o traço do Jimenzes não é tão estilizado quando o do Perez, o que permite uma colorização mais realista, que ficou muito boa. Esse primeiro número foi excelente, espero que os próximos continuem assim.

Villains United #6, Day of Vengeance #6, Rann-Thanagar War #6

[RUIM] Essas minis foram muito ruins, mas são prelúdios da Infinite Crisis, coloquei no pacotinho caso alguém queira ver a gênese dos eventos que acontecem em Infinite Crisis. A verdade é que essas minis são descartáveis, e só as quatro páginas finais de cada uma é que tem fatos relevantes. Em Villains United #6, Luthor mata o Pária, um dos personagens da Crise original. Lembro ainda que a Harbinger/Precursora morreu no ano passado, num dos números do Superman/Batman, isso deve ter alguma relevância na trama, ainda mais considerando que o Alex Luthor voltou junto com o Kal-L da terra-2.

JLA #120

[OK] Atualmente, parece que a DC está marvelizando e a Marvel está enDCzando. Do lado de lá, os Avengers largaram o elenco original pra fazer um time só com os heróis mais conhecidos, como Homem-Aranha e Wolverine, chupinhando o conceito da JLA. Do lado de cá, a DC investe nos super-heróis chorões e briguentos, que eram a marca registrada de séries como Quarteto Fantástico e X-Men. Essa edição é bem exemplo disso, são 24 páginas de heróis chorando e brigando, e escritos pelo Bob Harras, editor dos X-Men nos anos 90 e especialista em drama mexicano.

House of M #7

[RUIM] Ainda do lado de lá, House of M é a Marvel tentando fazer a Crise. A Feiticeira Escarlate mudou toda a realidade, mas nesse número ela se arrepende e volta atrás. Até agora está tudo muito ruim, a próxima edição é a final, vamos ver se melhora.

X-Men Unlimited #11

[OK] Nesse número, Marvel Girl e Havok, respectivamente filha e irmão do Ciclops, vão para um barzinho reclamar que ele se juntou com a Emma Frost tão logo a esposa morreu, sem nem dar tempo nem do defunto esfriar. Mas bah, parece que não conhecem a peça. O Ciclops é um cabra safado e sem coração mesmo, eles não lembram que na década de 80 ele largou a mulher e o filho sozinhos no Alasca pra ir se engraçar com a namoradinha de infância? De quem faz isso, espera-se qualquer coisa.

Ghost Rider #2

[BOM] Daqui a pouco sai o filme do Motoqueiro Fantasma, e a Marvel, nada boba, começa desde já a promover o personagem. Mas essa abordagem aqui é genial, deviam ter pensado nisso antes. Motoqueiro Fantasma, herói bad-ass, vindo do Inferno, tudo isso praticamente pedia Garth Ennis no roteiro! Pra quem já tinha experiência com Constantine e Preacher, Ghost Rider ele tira de letra.

Fantastic Four #511

[BOM] Meio antigo mas só agora eu li. O Coisa morreu e o Quarteto vai pro Céu salvar a alma do amigo. Chegando no Céu, eles encontram Deus, que é nada menos que Jack Kirby. Bom, muito bom, principalmente quando o Reed encontra a essência do universo. Reed: "É díficil acreditar que a realidade é desenhada apenas na ponta de um lápis", Kirby: "Você é cientista, devia saber que as melhores teorias foram feitas apenas com um lápis". O Homem-Animal fez melhor, mas esse aqui foi bom também.

Friendly Neighborhood Spider-Man #1

[BOM] Lembra que eu disse que é dificil para um escritor escrever uma historia que preste com o Homem-Aranha atual, considerando que ele é casado com uma super-modelo e mora num apê de luxo doado pelo Tony Stark? Então, pra quem tem talento não é difícil não, e o Peter David tem. Ele já tinha feito o mesmo no Hulk: quando o personagem não tá bem, analise a cabeça dele e veja como ele deveria agir. Quando jovem, tudo dava errado pro Peter, ele era bullyzado, suas namoradas morriam, sua tia passava mal. Hoje ele tem tudo que quer, mas traumas antigos não saem facilmente, e por isso o Peter é um inseguro e paranóico, que acha que vai dar tudo errado mesmo quando não há motivo pra isso. Homem-Aranha inseguro e paranóico foi uma boa sacada, curti.

Exiles #71

[OK] Exiles é o típico gibi "OK", ele não é ruim, mas também não é bom. Se tiver tempo, leia, não fica a sensação de tempo perdido. Mas também não há muito a elogiar.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Pacotinho de Gibis #02

Por Ricardo Bittencourt

Toda semana, reviews dos gibis que o Ricbit leu. Você está avisado de antemão que os reviews podem conter spoilers, mas eu não pego pesado neles. As notas são as seguintes:

[DUCA] Esse é muito bom, compre a versão nacional quando sair.
[BOM] Esse é melhor que a média, o que é difícil, considerando a média.
[OK] Esse é minimamente legível, mas não compre, pegue emprestado.
[RUIM] Me arrependi de ter perdido tempo com isso.

All-Star Batman & Robin the Boy Wonder #2

[OK] Sim, é Batman do Frank Miller, desenhado pelo Jim Lee. Não, não é bom. Certamente é melhor que o Cavaleiro das Trevas 2, que é hediondo, mas ainda está longe do Cavaleiro das Trevas original. A idéia dessa série é recontar a origem do Robin, mais uma vez. Se você tentar adotar uma abordagem minimamente realista, o Batman pegando um molequinho para lutar à noite com criminosos é caso certo de abuso infantil. E o Miller não tenta fugir disso, ele mostra o Batman fazendo tortura psicólogica no moleque pra que aceite a missão, e chega até a dar uns bofetes nele. Vale pela cena insólita, mas não muito além disso.

Gravity #4

[DUCA] Eu já disse antes que os japoneses é que são espertos, quando uma coisa dá certo eles copiam o mesmo modelo e seguem adiante. A história de Gravity é sobre um nerd tímido que ganha super-poderes, mas eles só complicam sua vida ao invés de torná-la mais facil. Antes que alguém diga que parece o Homem-Aranha, eu já adianto que essa é a idéia mesmo. Assim como quem gostava de Changeman acaba gostando de Flashman, quem gostava do Homem-Aranha do Stan Lee vai gostar desse aqui.


Superman Shazam - First Thunder #2

[OK] O primeiro encontro do Superman com o Capitão Marvel. É sabido que o Capitão Marvel era originalmente só um clone do Superman (muito embora tenha sido um clone que vendia muito, muito mais que o Superman). Depois que a DC processou a Fawcett e levou o personagem como pagamento da indenização, ele ficou meio encostado. Hoje em dia o povo tende a diferenciar o Superman do Capitão Marvel dizendo que os dois tem poderes diferentes, o primeiro tem poder que vem de meios naturais, o segundo tem poder que vem da magia. A série está explorando isso, chega a ter até uma seqüência onde os dois ficam comparando os poderes.

Ultimate Spider-Man #83

[?] O Bendis resolveu escrever uma história de mistério, cheia de personagens, onde o Homem-Aranha só descobre quem está do lado certo no fim da trama. Por esse motivo, eu não estou lendo, quando completar esse arco de histórias, leio tudo de uma vez.

Uncanny X-Men #465

[RUIM] Quando o Claremont saiu dos X-Men, não devia ter voltado. Ele teria sido lembrado como o maior escritor dos X-Men. Agora ele vai ser lembrado como aquele velhinho que ficou gagá.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Pacotinho de Gibis #01

Por Ricardo Bittencourt

Toda semana, reviews dos gibis que o Ricbit leu. Você está avisado de antemão que os reviews podem conter spoilers, mas eu não pego pesado neles. As notas são as seguintes:

[DUCA] Esse é muito bom, compre a versão nacional quando sair.
[BOM] Esse é melhor que a média, o que é difícil, considerando a média.
[OK] Esse é minimamente legível, mas não compre, pegue emprestado.
[RUIM] Me arrependi de ter perdido tempo com isso.

Top Ten: The Forty-Niners HC

[DUCA] É o Alan Moore e o Gene Ha retornando à série, mas dessa vez a arte é pintada ao invés de colorizada. Na série original, é citado que Neopolis foi construída por super-vilões, e aqui eles explicam o porquê. Na nossa realidade real, no fim da segunda guerra, os aliados perdoaram e incorporaram todos os cientistas nazistas, como o Von Braun. Na realidade da ABC aconteceu o mesmo, só que os cientistas eram cientistas malucos, e seu primeiro contrato com o governo foi projetar a cidade. O Alan Moore é bom mesmo. A história é contada do ponto de vista do Jetlad, que na série original era o capitão de polícia, e vocês lembram que ele era gay. Nessa edição, ele ainda não é da polícia e ainda não sabe que é gay, e vai dar um jeito nos dois itens ao longo da história. Muito bom mesmo.

Top Ten: Beyond The Farthest Precinct #1

[BOM] Essa é a segunda temporada do Top Ten, mas o Alan Moore não está escrevendo, só está supervisionando. Não é tão bom quanto o original, mas é bem legal também. Os desenhos são do Jerry Ordway, então dá um contraste bem grande comparado com o Gene Ha, mas os cameos ainda estão no background se você procurar. Algumas sacadas são boas, como os robôs se drogando com software pirata, e depois viajando "pô mano... o universo é open source...", pra logo em seguida aparecer um robô mais revoltado e xingar o outro, mas ao invés do clássico kiss my ass, é kiss my usb!

New Warriors #4

[BOM] A idéia dessa vez é que os New Warriors fizeram contrato com um reality show, e suas heroizices são gravadas e passadas na tv. O desenho é simpático, feito no estilo cartoon/animated. A intenção é ser cômico mesmo, e pra isso os New Warriors tem um novo integrante: Microbe, que tem o super-poder de conversar com bactérias. O autor está ligado nas notícias, o super-vilão da edição tem uma fábrica de carros movidos a gatinhos.

Adventures of Superman #644

[RUIM] Baixei de curiosidade, e é ruim de doer. Continuação direta da Identity Crisis. Pra quem não entendeu o mote da série, eu explico. Identity Crisis não foi feita com intenção de deixar os heróis mais realistas ou coisa assim. Não, ela foi feita de olho no cinema. A maior arrecadação das editoras atualmente "não" é vender gibi, mas sim licenciar personagens pra filme. Só que pra cada personagem que é efetivamente licenciado, tem outros trinta que são ruins demais pra isso. O mote da Identity Crisis é tentar consertar os vilões bobos dos anos 50, dizendo que eles não eram bobos de fato, é que a Zatanna fazia lobotomia nos que descobriam a identidade secreta deles. Na série original, os vilões eram o Bumerangue, o Dr. Luz e o Calculadora, todos de terceira linha. Nessa edição do Superman, o vilão é o Toyman. O problema é que uma idéia ruim não se salva simplesmente tornando as histórias sombrias, o Toyman é ruim porque é uma idéia besta mesmo.

Defenders #2

[OK] Na década de 80, a Liga da Justiça era escrita pelo Giffen e pelo DeMatteis como um gibi de humor com super-heróis. Pra isso, escolheram explicitamente heróis de segunda, como o Besouro Azul e o Gladiador Dourado. Agora os dois foram pra Marvel fazer a mesma coisa, e escolheram os Defensores pra isso. Convenhamos, os Defensores é dos piores grupos da Marvel (Dr. Estranho, Namor, Hulk e Surfista Prateado). Eles não funcionam em conjunto. E se não funcionam a sério, deveriam funcionar como piada. Hum. A idéia foi boa, mas a execução não me agradou, pelo menos nesse número.

Defenders #3

[BOM] Já no número 3 melhora, com uma sacada boa que vale o gibi. O Hulk é preso pela irmã do Dormammu, que por acaso é ninfomaníaca. Vendo que o Hulk é bem dotado, ela faz o serviço com ele. Só a guria é tão poderosa que dá uma canseira no Hulk(!), e ele fica tão relaxado que volta a ser Banner, e não há provocação que faça ele voltar a ser Hulk depois. Curti.

Exiles #70

[OK] Exiles é competente, mas nunca me atraiu de fato. Nesse número, eles entram no House of M pra tentar devolver o Beak pra sua família, mas no House of M a Angel agora é uma supermodelo mutante. A impressão que deu é que tudo isso é uma desculpa pra matar a Angel e deixar o Beak no time. so-so.

JSA Classified #3

[OK] Dizem que dessa vez vão consertar a Power Girl. Veremos. O problema todo é que a Power Girl perdeu a função depois da Crise. Antes, ela era um personagem bem definido: a Kara da Terra-2, ou seja, o equivalente da Supergirl no mundo da JSA. Depois da Crise, ninguém conseguiu bolar uma nova origem pra ela, aliás cada escritor novo que vinha apagava a origem anterior pra fazer uma nova, o resultado foi uma salada que detonou a personagem. Dessa vez "parece" que vai. O próximo número é que encerra a história, mas se eu consegui deduzir o final, vão explicar a Power Girl como sendo... uma personagem que sobreviveu à Crise. Faz sentido, e ainda liga com a vindoura Infinite Crisis.

JLA Classified #12

[RUIM] Um texto original de Marte veio parar na Terra, e esse texto contém um vírus memético, quem consegue decifrar o que está escrito abre um portal pro Inferno. É do Warren Ellis, mas eu não curto o Warren Ellis. O Morrison usou a mesma idéia nos Invisíveis de maneira muito melhor.

New Avengers #11

[RUIM] New Avengers é consistentemente ruim, não teve um número que prestasse. Nesse aqui, um escritor americano escreve uma história sobre o Japão, e na grande maioria das vezes isso dá merda. Bem, deu. Mas a história é irrelevante, e o gibi vai vender só baseado no mistério sobre quem é o "Ronin" na realidade.

Ultimate Iron Man #4

[OK] Estou gostando da série, mas nada especial até agora. O escritor é o Orson Scott Card do Ender's Game. Vale pela novidade de ser uma abordagem realmente nova do Iron Man, mas só.

Kitty Pryde - Shadow and Flame #3

[OK] Dessa vez, um escritor japonês está escrevendo sobre o Japão. Kitty volta pro Japão pra encontrar o mentor Ogun. É sensivelemente melhor mesmo. O desenho é do Paul Smith, o mesmo cara que desenhava os X-Men na época da história original do Ogun, então vale pelos desenhos.

Omac Project #6

[BOM] Sabe que eu curti Omac Project? Eles estão fazendo muita bobagem nessa DC pós-Identity Crisis, mas pelo menos uma coisa de boa aconteceu: a DC está imprevísivel. Essa série realmente me surpreendeu, você não esperaria que eles construíssem um vilão durante um ano inteiro (o Maxwell Lord versão Identity Crisis), pra matar o sujeito no número 3 da série. Ao chegar no 6, a batalha final tem relevância, porque você realmente não sabe se os heróis lá vão morrer ou não. No final os heróis ganham, mas eu não estava certo disso antes de ler o final. Isso foi bom.

The Sentry #1

[RUIM] Eca. Super-herói muito poderoso que tem ímpetos de salvar o mundo a todo momento, mas fica com remorso por não poder salvar todo mundo. Nada de novo. A mesma história foi contada pelo Busiek no Astro City #1 e ficou muito melhor.

Wha Huh

[RUIM] Era pra ser uma paródia no estilo What If, mas não teve graça. Supostamente, uma das grandes gags é "o que aconteceria se todos os vingadores tivessem barba?" Aí tem uma cena do Iron Man e da Scarlet Witch com barba. Duh. Humor pra retards. Salva só "o que aconteceria se a internet existisse na década de 60", com o leitor reclamando que o Demolidor mudou de traje, que essa roupa vermelha é ruim, e devia continuar com o uniforme amarelo que é como todos gostam.

Wolverine #32

[DUCA] Gostei dessa. Faz parte da cronologia o Wolverine estar na Europa durante a segunda guerra, o Millar só estendeu isso dizendo que em algum ponto, o Wolverine esteve preso num campo de concentração. O comandante de campo, querendo fazer uma demonstração de poder para os detentos, dá um tiro na cabeça de um prisioneiro, mas o prisioneiro não morre. Botam o cara no crematório, e ele não morre. Chamam um pelotão de fuzilamento, e nada do cara morrer. Boa, boa, foi feita no estilo Tales of the Crypt e contada como uma história de terror, ficou bem legal.

Young Avengers #7

[OK] Compentente. É a versão da Marvel para os Teen Titans, tem o capitãozinho américa, o hulkzinho e o thorzinho. Parecia estúpido à primeira vista, mas não ficou ruim.

Y The Last Man #36

[DUCA] Uma das poucas séries regulares que é consistentemente boa. Como o Yorrick finalmente chega na Austrália na edição seguinte, pausa pra um flaskback dos tempos dele com a namorada. Ele tinha fetiche com a Zatanna. Eu entendo ele.

Y The Last Man #37

[DUCA] O Yorrick finalmente chega à Austrália, e o escritor, mostrando que não tem medo de mudar o status quo da revista, faz uma jornalista conseguir prova de que ainda existe um homem no planeta, e pretende publicar pra todos verem. Deu coceira pra ler o próximo.

Captain America #10

[RUIM] A Marvel tem uma política muito firme sobre mortes: "Todo mundo que morre, volta (exceto Bucky e o Tio Ben)". Pois essa saga do Capitão América trazia justamente o Bucky de volta. E pior, tava bom o gibi, mas aí eles resolvem fazer um crossover com House of M no meio da trama e estragam todo o clima da narrativa. Espero que volte ao normal no próximo. número.

sábado, outubro 08, 2005

Don Drácula - Humor com uma Pitada de Horror

Por Razor

Caramba, faz tempo que eu não publico nenhuma matéria por aqui não é verdade pessoal? Bom, sabe como é, né? Namorada, faculdade, emprego, amigos, sono, preguiça, luxúria... Êpa, já tô entrando nos 7 pecados capitais, melhor mudar o assunto... Erm, pois muito bem. A última publicação feita por mim aqui na MEDI foi sobre o game Princess Maker II, que é muito bom por sinal! No entanto, faz um bom tempo que eu não jogo isso, minha mente estava mais voltada para o Ragnarök (putz, já mencionei que eu comecei a escrever um artigo a respeito e arquivei no esquecimento? Preciso tirar o pó e acabar o que foi iniciado).
Bom, agora pulando um pouco esta “breve” introdução, vamos ao que realmente interessa - pois afinal de contas foi por isto que você clicou neste link, não é verdade?

Bom, a geração de 90 provavelmente não vai se lembrar deste clássico dos animes japoneses (ihh tô ficando velho. Cadê a minha bengala e a minha dentadura, hein meu filho?) O nome deste titã da animação é Don Dracula! Um anime diferenciado que combinava humor com horror, suspense, drama e romance ao mesmo tempo. O mais incrível disto tudo é que a série foi composta somente por 8 episódios, e apesar disto, ainda é lembrada por muitos nos dias de hoje. Vamos ligar o túnel do tempo e voltar um pouco na história (pronto, semana que vem já vou receber uma intimação do Vídeo Show por causa da utilização indevida de direitos autorais).

DON DRÁCULA

Quem vem a ser este personagem com a face azulada que mais aparenta ser o pai do Gonzo dos Muppets Babies do que um vampiro em si? Pombas, é o famoso Don Dracula (inspirado na obra literária de Bram Stroker, 1897)! Este anime foi basicamente desenvolvido com características extraídas desta fábula, mas é claro, que com algum senso de originalidade e muito humor. A história se inicia quando o nosso amigo Don Dracula e sua filha Sangria decidem mudar-se da Transilvânia (levando a casa junto, por sinal), por causa do extenso número de caçadores de vampiros, e tornam-se refugiados na cidade de Tóquio, localizada no Japão.

Sangria é o tipo de garota que possui somente o desejo de levar uma vida normal (ao contrário do seu pai que vive se metendo em encrencas). Fiel a lenda de que os vampiros não podem ver a luz do sol, ela estuda em um colégio noturno e vive pegando no pé de seu pai, para que ele não fique mordendo os pescoços de garotas indefesas à noite (toda vez que ela fica nervosa, o seu cabelo fica todo espetado, parecendo a noiva do Frankenstein).

Para quem conhece a história original, lembra-se muito bem que para todo dracula, há sempre um criado fiel (normalmente chamado Igor). E é por este mesmo motivo, que o criador enfatizou este princípio, dando origem ao tradicional Igor, sendo o leal lacaio de Don Dracula, que possui como tarefas primordiais tomar conta da casa e dos caixões de seus mestres, assim como expulsar prováveis invasores. Também não podemos esquecer de mencionar o fato de que ele é corcunda, usa um tapa olho e vive se queixando de tudo.

Sempre há pelo menos um vilão para cada história. Neste caso, a situação não é nem um pouco diferente, e podemos contar com a presença do famoso Dr. Van Helsing, da Holanda, que é conhecido internacionalmente devido às suas extraordinárias habilidades como caçador de vampiros. No geral, é um sujeito feio, baixinho e asqueroso que possui como o seu maior defeito, a desvantagem de sofrer ataques crônicos de hérnia quando fica muito agitado. Por causa desta doença ele ficou anêmico (portanto, com ódio de todos aqueles que bebem sangue), e tornou-se um caçador de vampiros As armas utilizadas são meros clichês do universo dos vampiros, tais como estacas, crucifixos e dentes de alho.

Outros três personagens que fazem parte do time, são o morcego Yasu, que trabalha como o narrador da história (e possui uma participação durante a série, interagindo com pelo menos um dos personagens), o agente policial que vivia dando tiros para todos os lados (igual àqueles barões do petróleo que moram no Texas), e o amigo de escola da vampirinha Sangria (que poderia eventualmente ter se tornado o seu namorado com o desenrolar da série).

Sendo um anime japonês, não poderíamos deixar de mencionar o fato de que normalmente há sempre um tarado de plantão que compõe a equipe dos personagens. Bom, neste caso, é o próprio Don Dracula! Com esta personalidade de vampiro "safadão", o seu principal objetivo é perseguir moças jovens e bonitas para morder os seus pescoços e beber todo o seu sangue (que são indicadas pelo o seu próprio cabelo). No entanto, ele aparenta ser o vampiro mais azarado do mundo neste segmento, pois ao invés de conquistar o coração de garotas esbeltas, ele acaba por ter de lidar sempre com problemas 'de rotina' (seja por causa de caçadores intrusos ou até mesmo em razão de mulheres inconvenientes, tais como Blonda).

Blonda nada mais é do que uma mulher de aparência nada atraente para o exigente vampiro. Ela é gorducha, desajeitada e vive o perseguindo durante os episódios, implorando para que ele a morda no pescoço, e que assim possam ficar juntos para sempre. Em um dos episódios, descobrimos que ela era a garota mais bonita da classe quando era mais jovem, mas em virtude de uma decepção amorosa, ela entrou em uma dieta intensiva de massas e ganhou alguns quilos a mais.

FICHA TÉCNICA

Don Dracula foi criado por Osamu Tezuka, conhecido por muitos como o "Deus do Mangá". Ele foi uma figura importante no mundo dos animes, pois foi o inovador que deu origem a aparência de personagens com olhos grandes e cabelos arrepiados. Só para se ter uma idéia, 2 de seus principais animes foram A Princesa e o Cavaleiro e Astroboy (deixando de lado Kimba - O Leão Branco, que recentemente é transmitido através do canal Boomerang de TV a cabo). Creio eu que provavelmente, Astroboy deu origem ao famoso personagem de games conhecido como Mega-Man. Recentemente ele ganhou um espaço na programação da TV aberta brasileira, e aparentemente teve uma boa aceitação por parte da nova geração de fãs. Agora, no caso de A Princesa e o Cavaleiro, bom, este já é um anime que está há muito tempo esquecido, e ficará guardado na memória daqueles que tiveram a oportunidade de assisti-lo enquanto era transmitido na TV nacional.

Oras, mas se este anime prometia tanto, por que raios foi cancelado?! Bem, infelizmente o projeto que possuía a premissa de desenvolver pelo menos 26 episódios antes de ser concluído, teve de ser cancelado por volta do 8º em virtude da abertura de falência por parte dos anunciantes. Bom, como toda boa e velha moeda, há sempre os seus dois lados, e estes devem sempre ser levados em consideração. Portanto, em virtude do fato da série ter ficado incompleta, a extinta rede Manchete de TV pôde comprar os direitos de exibição dela por um preço bastante acessível, o que nos possibilitou a felicidade de poder conhecê-la e assisti-la.

Don Dracula foi produzido pela empresa Jin Productions, e publicado oficialmente no Japão no ano de 1982. Já no Brasil, foi em meados de 1986, onde foi dublado pela eterna Tele-Cine.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Guias de Episódios:

1) O caçador chegou
2) Cuidado com o vampiro
3) O gigante que vendeu sua alma
4) A aliança dos monstros
5) O vampiro vai a escola
6) O caçador e as feras
7) A grande Trapaça
8) O alho, a cruz e o dentista

Curiosidades:

- Don Dracula é um vampiro que ao contrário dos tradicionais, consegue ver o seu reflexo em um espelho;
- Visualmente é notável o fato de que o nosso herói já foi alvo de muitos caçadores, pois ele anda pra lá e pra cá com uma estaca enfiada no peito;
- Outro aspecto que não foi mencionado, foi em relação a origem do 'sangue gelado', que é utilizado como alimento quando não há vítimas nas proximidades.

Multimídia:

Tema de abertura;
Vídeo de apresentação (4,9mb);
Vídeo de encerramento (4,5mb).

Comunidades no Orkut:

Don Dracula e Don Dracula (Brasil).

Locais para comprar os Episódios:

Mercado Livre: http://www.mercadolivre.com.br
Arremate: http://www.arremate.com
Shopping Sogo Plaza: Bairro da Liberdade / SP.

Download de Episódios:

Vou ser sincero com todos, já procurei estes episódios pela rede inteira e não encontrei foi nada. No entanto, aparentemente esta série também foi de certa forma popular na Itália e na Espanha. Portanto, também existe a possibilidade de encontrar episódios dublados em outros idiomas (o que para muitos pode até servir de consolo). PS. Talvez você encontre algum material disponível nas comunidades do Orkut... Portanto, fique ligado(a)!

CONCLUSÃO E AGRADECIMENTOS


Phew, juro que pensei que ia levar alguns meses até terminar esta matéria, mas felizmente deu tudo certo. Bom, pelo menos desta vez acho que não vou ter que ouvir esporros de fãs indignados com os meus comentários em relação ao anime (ehr, isto fica por conta da Mangazona... hehehe). Meu objetivo aqui foi tentar juntar o máximo de material relativo a este anime para trazer algumas recordações para os antigos fãs da série, e para talvez até fazer com que as pessoas que não tiveram a oportunidade de assisti-la um dia, pudessem ao menos saber de sua existência.
Hmmm... Sei que esta matéria ficou de certa forma extensa e eu agradeço de coração a sua paciência por tê-la acompanhado até o final. Obrigado!
PS. Desculpe-me por não divulgar os resumos dos episódios, mas tenho certeza de que você encontrará estas informações em pelo menos 1 dos sites que estão sendo mencionados logo abaixo).

Don Dracula Home Page (obrigado pelas curiosidades e pelos dados sobre o criador, me ajudaram muito!).
Memory Chips (obrigado pelo guia de episódios!).
Séries de TV (obrigado pelas informações técnicas da série!).
Tezuka Osamu World (thanks a lot for the information about the series' creator, and the images that I've used on this article!).

Ah, e eu não poderia me esquecer de agradecer também as comunidades e outras páginas que divulgam a série, os sites que funcionam como um elo entre compradores e vendedores de produtos, os fãs que disponibilizam materiais de áudio e vídeo relativos ao anime etc... E também, o Cadu que sempre edita as minhas matérias, o Galford que vive fazendo os reviews de tudo o que eu publico.

Enfim, obrigado por tudo meus amigos e amigas, espero que tenham desfrutado do conteúdo desta matéria (e do site da MEDI em geral). Abraços a todos, espero terminar em breve aquele artigo do Ragnarök para que todos possam avaliá-lo também. Até!