quarta-feira, outubro 26, 2005

Pacotinho de Gibis #03

Por Ricardo Bittencourt

Toda semana, reviews dos gibis que o Ricbit leu. Você está avisado de antemão que os reviews podem conter spoilers, mas eu não pego pesado neles. As notas são as seguintes:

[DUCA] Esse é muito bom, compre a versão nacional quando sair.
[BOM] Esse é melhor que a média, o que é difícil, considerando a média.
[OK] Esse é minimamente legível, mas não compre, pegue emprestado.
[RUIM] Me arrependi de ter perdido tempo com isso.

Superman Annual #11 (1985)

[DUCA] Peça pra qualquer conhecedor de quadrinhos pra nomear as cinco melhores histórias do Superman, fatalmente essa vai estar entre elas. "For the man who has everything" foi escrito pelo Alan Moore e desenhado pelo Dave Gibbons, a mesma dupla de Watchmen. E isso fica bem claro na história, aqui os dois ainda estavam começando a brincar com quadrinhos americanos, e tem muita experimentação em caminho. A transição da página 5 para a 6 é puro Watchman, com um diálogo que começa numa cena e termina na cena seguinte. Na trama, é aniversário do Superman, e seus melhores amigos, Batman e Mulher-Maravilha, vão o visitar em sua Fortaleza da Solidão. Mas Mongul consegue se infiltrar na festinha, e tem um plano perfeito: ele gruda no Superman uma planta que deixa o hospedeiro paralisado e preso num mundo onírico, onde seus maiores sonhos se realizam. Se o hospedeiro não consegue se soltar, fica preso pra sempre, Mongul ganha. Se o hospedeiro se soltar, ele vai estar dando adeus para seus maiores sonhos, um trauma terrível, e Mongul também ganha. Para derrotar o vilão, os três heróis precisam juntar suas forças e agir em equipe, numa história que ecoa os temas que definem a Silver Age of Comics.

Infinite Crisis #1

[DUCA - review longo] Fast forward pra 2005, quando sai o primeiro número de Infinite Crisis. Antes de começar, preciso confessar que sou fã da Crise nas Infinitas Terras original. Foi uma história com muita interferência editorial, cheia de contradições, mas foi um épico que marcou seu lugar na história dos quadrinhos. Em parte, porque ela foi contra uma das convenções do gênero: que as histórias de super-heróis não podem ter fim. Não foi assim com a Crise. Sabendo que o universo DC ia rebootar no mês seguinte, os escritores puderam se dar ao luxo de fazer uma história final, que encerrasse as vidas daqueles heróis da Silver Age, muitos deles morrendo, outros se aposentando, e tudo isso no meio de uma batalha não pelo planeta, nem pelo universo, mas pelo multiverso inteiro. Crise teve um escopo enorme, e, exatamente por isso, ninguém conseguiu fazer uma seqüência decente pra ela. Coisas como foram apenas medíocres, e eu não esperava muito de Infinite Crisis também, até mesmo porque os prelúdios da série (como Zero HourIdentity Crisis e Countdown) estavam apenas reforçando o que havia de pior na DC pós-crise: heróis violentos, sem compaixão, sem o espírito nobre que havia pré-Crise.

Basta relembrar um dos prelúdios, The OMAC Project. Na história, Max Lord controla mentalmente o Superman e faz ele dar uma surra no Batman, não apenas uma sova, mas um belo de um cacete. Logo em seguida ele ordena que Superman faça o mesmo com a Mulher Maravilha, mas ela corta o mal pela raiz, matando o Max Lord, a sangue frio. Isso deixou os três heróis não apenas brigados, mas de relações cortadas. Como confiar um no outro após isso? Em Infinite Crsis #1, os três vão para a base da JLA na Lua tentar resolver suas diferenças, mas eles não se entendem. E pior, Mongul dá um jeito de se inflitrar, e os três perdem mais tempo discutindo entre si que lutando contra o vilão, que acaba escapando no final.

Pra quem leu "for the man who has everything", é como se o universo atual fosse o mundo bizarro do universo DC pré-crise. As duas histórias tem os mesmos eventos chave, mas se desenrolam de maneiras opostas. Pra quem gosta do universo pré-crise, essa história é praticamente um insulto. E era exatamente o que os escritores queriam fazer!

Pois no universo DC ainda há um personagem pré-crise. Vendo de longe o que está acontecendo, Kal-L, Superman da Terra-2, se revolta e sai de seu pocket universe pra tirar satisfações com esses heróis de merda que estão no universo regular! Pra quem não lembra, no final da Crise nas Infinitas Terras original, Kal-L da Terra 2 e Superboy da Terra-Prime se exilaram num pocket universe, vendo que no universo unificado pós-crise não havia espaço pra mais de um Superman. Mas, ao ver que o Superman que ficou é um banana, nada mais natural que eles se revoltem e tentem consertar o que pra eles foi um erro.

Isso foi uma puta sacada, e justifica completamente os dois últimos anos de gibis da DC. Quem tentou continuar a Crise apenas emulando seu escopo, como Zero Hour, falhou. A abordagem de continuar a Crise contrapondo os valores dos heróis de então com os atuais é muito mais inteligente. E, para melhorar o clima de continuação, a arte é muito evocativa da Crise original. A capa é do próprio George Perez, e o interior é feito pelo Phil Jimenez, que se bobear é o único desenhista de quadrinhso que está à altura do Perez na quantidade de detalhe. O desenho está tão bom, que dá até a impressão que foi feito numa folha duas vezes maior e depois reduzido. E o traço do Jimenzes não é tão estilizado quando o do Perez, o que permite uma colorização mais realista, que ficou muito boa. Esse primeiro número foi excelente, espero que os próximos continuem assim.

Villains United #6, Day of Vengeance #6, Rann-Thanagar War #6

[RUIM] Essas minis foram muito ruins, mas são prelúdios da Infinite Crisis, coloquei no pacotinho caso alguém queira ver a gênese dos eventos que acontecem em Infinite Crisis. A verdade é que essas minis são descartáveis, e só as quatro páginas finais de cada uma é que tem fatos relevantes. Em Villains United #6, Luthor mata o Pária, um dos personagens da Crise original. Lembro ainda que a Harbinger/Precursora morreu no ano passado, num dos números do Superman/Batman, isso deve ter alguma relevância na trama, ainda mais considerando que o Alex Luthor voltou junto com o Kal-L da terra-2.

JLA #120

[OK] Atualmente, parece que a DC está marvelizando e a Marvel está enDCzando. Do lado de lá, os Avengers largaram o elenco original pra fazer um time só com os heróis mais conhecidos, como Homem-Aranha e Wolverine, chupinhando o conceito da JLA. Do lado de cá, a DC investe nos super-heróis chorões e briguentos, que eram a marca registrada de séries como Quarteto Fantástico e X-Men. Essa edição é bem exemplo disso, são 24 páginas de heróis chorando e brigando, e escritos pelo Bob Harras, editor dos X-Men nos anos 90 e especialista em drama mexicano.

House of M #7

[RUIM] Ainda do lado de lá, House of M é a Marvel tentando fazer a Crise. A Feiticeira Escarlate mudou toda a realidade, mas nesse número ela se arrepende e volta atrás. Até agora está tudo muito ruim, a próxima edição é a final, vamos ver se melhora.

X-Men Unlimited #11

[OK] Nesse número, Marvel Girl e Havok, respectivamente filha e irmão do Ciclops, vão para um barzinho reclamar que ele se juntou com a Emma Frost tão logo a esposa morreu, sem nem dar tempo nem do defunto esfriar. Mas bah, parece que não conhecem a peça. O Ciclops é um cabra safado e sem coração mesmo, eles não lembram que na década de 80 ele largou a mulher e o filho sozinhos no Alasca pra ir se engraçar com a namoradinha de infância? De quem faz isso, espera-se qualquer coisa.

Ghost Rider #2

[BOM] Daqui a pouco sai o filme do Motoqueiro Fantasma, e a Marvel, nada boba, começa desde já a promover o personagem. Mas essa abordagem aqui é genial, deviam ter pensado nisso antes. Motoqueiro Fantasma, herói bad-ass, vindo do Inferno, tudo isso praticamente pedia Garth Ennis no roteiro! Pra quem já tinha experiência com Constantine e Preacher, Ghost Rider ele tira de letra.

Fantastic Four #511

[BOM] Meio antigo mas só agora eu li. O Coisa morreu e o Quarteto vai pro Céu salvar a alma do amigo. Chegando no Céu, eles encontram Deus, que é nada menos que Jack Kirby. Bom, muito bom, principalmente quando o Reed encontra a essência do universo. Reed: "É díficil acreditar que a realidade é desenhada apenas na ponta de um lápis", Kirby: "Você é cientista, devia saber que as melhores teorias foram feitas apenas com um lápis". O Homem-Animal fez melhor, mas esse aqui foi bom também.

Friendly Neighborhood Spider-Man #1

[BOM] Lembra que eu disse que é dificil para um escritor escrever uma historia que preste com o Homem-Aranha atual, considerando que ele é casado com uma super-modelo e mora num apê de luxo doado pelo Tony Stark? Então, pra quem tem talento não é difícil não, e o Peter David tem. Ele já tinha feito o mesmo no Hulk: quando o personagem não tá bem, analise a cabeça dele e veja como ele deveria agir. Quando jovem, tudo dava errado pro Peter, ele era bullyzado, suas namoradas morriam, sua tia passava mal. Hoje ele tem tudo que quer, mas traumas antigos não saem facilmente, e por isso o Peter é um inseguro e paranóico, que acha que vai dar tudo errado mesmo quando não há motivo pra isso. Homem-Aranha inseguro e paranóico foi uma boa sacada, curti.

Exiles #71

[OK] Exiles é o típico gibi "OK", ele não é ruim, mas também não é bom. Se tiver tempo, leia, não fica a sensação de tempo perdido. Mas também não há muito a elogiar.

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