segunda-feira, março 27, 2006

L-Space #01

Bem vindo ao Espaço-L, o plano dimensional criado a partir da ondulação quântica ao redor dos livros, e que conecta todas as bibliotecas existentes no multiverso. Neste espaço vocês tomaram conhecimento das minhas últimas leituras. Vale qualquer coisa; livros, quadrinhos, revistas, bulas de remédio ou placas de trânsito.

Coraline - Neil GaimanCoraline (Neil Gaiman) – Se eu não me engano, este livro foi a primeira incursão do Neil Gaiman no universo dos livros infantis. Coraline é uma garotinha que acabará de se mudar junto com seus pais para um novo apartamento. Como seus pais não lhe dão muita atenção, ela resolve explorar sua nova moradia e conhecer os seus novos vizinhos, um tanto excêntricos. Eis então que numa tarde chuvosa, Coraline consegue abrir uma porta de sua casa que antes dava para um muro de tijolos, e agora descobre que ela dá para o apartamento vizinho, que aparentemente estava vazio. Lá ela descobre um apartamento semelhante ao seu, mas invertido, assim como versões de seus pais, mas que possuem botões negros pregados onde deveriam estar os olhos, e personalidades opostas, pois diferente de seus pais, eles são atenciosos com ela. Esta nova moradia que a princípio Coraline achará perfeita e maravilhosa, se revelará na verdade como um lugar sinistro e assustador. Cabe agora a Coraline escapar deste mundo e encontrar os seus verdadeiros pais.

Apesar de ser um livro infantil, Gaiman mantém em Coraline o seu típico estilo gótico e sombrio de narrar histórias. Mas o que seria um grande diferencial para um livro infantil, acaba sendo mal aproveitado por ele. A história é conduzida de uma forma muito óbvia, tendo poucos momentos reais de suspenses. Dá pra antever com muita antecedência os acontecimentos, o que tira muito daquela ávida curiosidade que temos ao virar a página para descobrir o que vem a seguir. Também achei o final um tanto decepcionante.

Vocês podem dizer que este é um livro para crianças e não para um adulto (ainda por cima nerd e chato) como eu. Tá certo, pode até ser que se eu tivesse lido Coraline quando criança, tivesse gostado mais. No entanto, acho que o Neil Gaiman precisa urgentemente pegar umas dicas com seu amigo Terry Pratchett de como se fazer um livro infantil que não subestima a capacidade e inteligência das crianças, e ainda é capaz de deixar os adultos (mesmo os nerds e chatos) refletindo por horas e horas. Quem leu O Fabuloso Maurício, sabe do que estou falando. No fim, o que acaba salvando Coraline são as sensacionais ilustrações do Dave Mackean que acompanham o livro.


Alta Fidelidade - Nick HornbyAlta Fidelidade (Nick Hornby) – Antes de ler Alta Fidelidade, eu já havia assistido a sua adaptação cinematográfica, a qual tinha adorado, mas o livro consegue ser muito melhor (aliás, como quase sempre acontece). O protagonista da história (e também seu narrador) é Rob Fleming, dono de uma loja de discos que anda mal das pernas e está prestes a falir, e que junto com seus amigos Barry e Dick, que trabalham com ele na loja, possui a mania de fazer listas de “cinco melhores” sobre tudo, seja filmes, livros, músicas, ou até mesmo dos piores pé na bunda que já levou das mulheres. E é justamente uma lista dessas que ele nos apresenta no começo do livro, ao ser abandonado pela sua última namorada, Laura Lydon. A partir daí segue uma divertida história sobre relações amorosas, encontros e separações, regada com uma boa dose de ironia e muita referência ao universo pop.

Nick Hornby nos mostra que é plenamente possível fazer literatura popular sem se tornar banal ou simplório. Ele é capaz de ser erudito e hábil na linguagem, mas sem com isso se tornar chato, ou pior, hermético. Possui um estilo de narração fluída e gostosa, que faz com que você não pare de ler enquanto não chegue ao fim do livro. É por isso que Nick Hornby já entrou pro meu Top 5 de escritores ingleses fodões.

Curiosidades nerd sobre Alta Fidelidade; um dos livros favoritos do protagonista Rob Fleming é O Guia do Mochileio das Galáxias, e o autor favorito de seu amigo Barry é o Terry Pratchett. Agora me digam se Hornby não é mesmo fodão? =)

Las Vegas na Cabeça (Hunter Thompson) – Hunter Thompson é considerado o pai do , um estilo onde a objetividade dá lugar a subjetividade e a parcialidade do autor na descrição dos fatos. Neste livro Thompson narra suas desventuras ao ser enviado para Las Vegas para fazer uma matéria sobre uma corrida no deserto, mas que ao invés disso gasta todo o dinheiro que recebeu pra cobrir o evento em drogas e bebidas, além de deixar uma enorme dívida no Hotel em que estava hospedado e fugir sem pagar.

O livro demora um pouco para engatar, mas depois que você consegue entrar no universo lisérgico de Thopnson, ele flui muito bem e você começa a se divertir com as descrições de suas viagens e delírios paranóicos. Um dos momentos mais engraçados do livro, inclusive, é quando Thompson é convocado para cobrir um congresso de policiais contras as drogas, e ele vai completamente chapado. Hilário.

Só é uma pena que este livro esteja fora de catálogo, mas se você encontrá-lo perdido por algum sebo por aí, compre, pois vale muita a pena. Agora quero ver se assisto a adaptação cinematográfica dirigida por Terry Gilliam e que tem o Johnny Depp no papel de Thompson.

Eric - Discworld - Terry PratchettEric (Terry Pratchett) – Este é o nono livro da série discworld que a Conrad lançou no Brasil, e também o mais curto, li ele numa viagem de trem até a faculdade. Eric está longe de ser um dos melhores livros da série, mas ainda assim, estamos falando Terry Pratchett, com toda a sua ironia e sarcasmos habituais.

Nesta história temos a volta do mago Rincewind, que ao final de O Oitavo Mago, acabou ficando preso no Calabouço da Dimensões junto com a sua companheira, a Bagagem. Ele consegue sair de lá ao ser invocado acidentalmente por Eric, demonólogo de 13 anos de idade que estava tentando invocar o seu primeiro demônio. Pensando que o ritual deu certo, e que Rincewind é um demônio, Eric pede para ele que lhe realize três desejos. Qual é a surpresa de Rincewind ao descobrir que realmente possui poder para realizar os desejos de Eric, mas esses desejos não saíram exatamente como o garoto pretendia.

Um dos momentos de destaque do livro é quando Ricewind e Eric vão parar no meio da Guerra de Tsort, que é uma clara paródia a Guerra de Tróia, e que para quem gosta de mitologia grega e história antiga como eu, é um prato cheio, pois Pratchett faz várias referências as culturas grega e hitita.

Mas claro que Pratchett não e limita apenas a paródia, e manda muito bem na crítica também. A desse livro em especial é voltado ao maniqueísmo, ou seja, a idiota maneira que muitas pessoas possuem de enxergar o mundo dividido de uma forma simplista entre o bem e o mal, esquecendo que esses são conceitos criados pela teia de significado do próprio homem, e que, portanto, são submetidos a um relativismo histórico e cultural.

Até mais, e Obrigado pelos Peixes! - Douglas AdamsAté mais, e Obrigado pelos Peixes! (Douglas Adams) – Esta é na verdade uma releitura, pois já havia lido este livro da primeira vez em que foi publicado pela Brasiliense. Aliás, estou fazendo questão de reler estas novas edições da série Mochileiro das Galáxias lançadas pela Sextante, pois a tradução realizada pelo meu xará Carlos Irineu, é incrivelmente superior a da anterior, você percebe que ele realmente manja do universo tresloucado criado por Douglas Adams, e não deixa escapar nenhuma referência, sempre fazendo o possível para manter a fidelidade do estilo narrativo do autor.

Muitos leitores da série não gostam muito deste quarto volume, e até dá pra entender o porquê. Neste livro, os elementos que marcaram os volumes anteriores, como a narrativa frenética e tresloucada, e as loucuras non-sense, estão bem menos presentes. Até mesmo umas das características básicas da série, que são as descrições de verbetes do próprio Guia do Mochileiro, aparecem apenas duas ou três vezes em todo o livro. E mesmo o Marvin, o personagem favorito de onze entre dez pessoas, possui apenas uma rápida ponta no final do livro, e que infelizmente, é umas das cenas mais tristes da história, e até mesmo da série toda.

A verdade é que Até Mais, e Valeu pelos Peixes é menos uma história de ficção científica como os volumes anteriores, e mais uma comédia romântica. É como se Adams estivesse nos tentando dizer que o universo, a vida, e tudo mais, pudesse fazer sentido com o Amor, ainda que o alcance deste sentido seja efêmero e volúvel. Bem, eu particularmente tenho minhas dúvidas quanto a isso. O Amor parece fazer tanto sentido para mim quanto 42.

Por fim, não se deixem enganarem pela contra capa do livro, pois ao contrário do que diz lá, a série do Mochileiro das Galáxias é uma “trilogia de cinco livros” e não de quatro. E o Carlos Irineu confirmou que o quinto livro, Mostly Harmless, será publicado pela Sextante e terá o seu lançamento provavelmente em maio. Este foi o único livro da série que ainda não li, já que ele tinha sido o único volume que a Brasiliense não tinha publicado em português, por isso estou ansioso por sua publicação. Vamos ver se Douglas Adams consegue terminar a série com chave de ouro ou não.

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1 Comments:

At 7:33 PM, Anonymous Camila said...

o loco!!
QUINTO LIVRO??UAU!!!MEU MUNDO TEM CORES DE NOVO!!!!!!!!
MARVIN,ESTAMOS DE VOLTA!
FERIAS NO PLANETA DAS ALMOFADAS!!!!!!
eu viciei nessa serie,meu mundo por uma dinamite pangalactica....hehehehe
falando nisso...como eh q eu posso virar uma maluca endiabrada,em tchurma?TRABALHO DE GRAÇA 7 DIAS POR SEMANA,SOH PRECISA ME ALIMENTA COM PÃO E AGUA Q TA 10^^
contatos: milla_loving@hotmail.com
~*

 

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