segunda-feira, março 13, 2006

Top 10 - Contra o Crime

Com Watchmen, Alan Moore criou um novo paradigma para as histórias em quadrinhos de super-heróis (assim como Cavaleiros das Trevas de Frank Miller). A partir dali, tudo quanto era roteirista passou a escrever histórias onde tentavam aproximar os super-heróis o mais perto possível da realidade, como se só esse fato fosse um selo de qualidade e garantia de uma boa história. O que a principio foi uma renovação de um gênero que já estava incrivelmente desgastado, nas mãos de roteiristas não muito talentosos, esse modelo de “heróis realistas” também se desgastou rapidamente. Tivemos então que agüentar em toda a década de 90, diversas histórias de super-heróis soturnos e decadentes, mas que não chegavam nem perto da genialidade de Watchmen (ou de Cavaleiros das Trevas).

Eis então que Alan Moore, como se sentido culpado pela herança que deixou ao gênero, decidi ir na contra mão da tendência realista, e com seu selo ABC (American Best Comics), começa a escrever histórias de super-heróis mais fantásticas e fantasiosas, mostrando que é possível criar quadrinhos de super-heróis inteligentes e divertidas neste estilo, basta um pouco de criatividade. E ele nem precisou ser completamente original, apenas revisitou o gênero super-herói de uma forma inusitada, seja retornando as origens nas pulp fictions como fez em Tom Strong, seja reunindo personagens clássicos da literatura do fim do século XIX em um tipo de “liga da justiça” vitoriana como fez em A Liga Extraodinária, ou então misturando com o gênero policial como fez em Top Ten, que a editora Devir lançou no Brasil no fim do ano passado, em um álbum reunindo sete edições.

O cenário de Top Ten é a cidade de Neópolis, uma megalópole onde todos os seus habitantes são meta-humanos com algum tipo de poder especial. Na primeira história somos apresentados a policial Robyn Slinger, que está iniciando o seu primeiro dia de serviço no 10º Distrito. Slinger possui o codinome ToyBox, pois carrega uma caixa cheia de brinquedos autômatos. Ela ganha como parceiro o durão e anti-social Jeff Smax, um grandalhão de pele azul que possui a habilidade de emitir um raio energético do peito. Outros policiais de destaque do 10º Distrito são: Sargento Caesar, um cão falante que utiliza um exoesqueleto; Jack Fantasma, uma policial lésbica capaz de tornar-se etérea, Irma Wornow, que possui uma armadura que a transforma num verdadeiro tanque de guerra; Sally-Joe “Micro-Moça” Jessel, a legista do distrito, capaz de diminuir o seu tamanho e dos objetos que ela toca, Sinestesia Jackson; que possui a habilidade de misturar os seus sentidos; e o Capitão Traynor, um ex-herói da aviação nos anos 40.

Alan Moore não se intimida em utilizar em Top Ten a estrutura e os clichês clássicos de séries policiais, como Nova York Contra o Crime, por exemplo. Então junto com o desenvolvimento da trama principal, iremos acompanhar os policiais de Top Ten na investigação de diversos casos e outras atribulações de seu cotidiano, que em diversos momentos poderiam ser coisas banais, se não fosse o fato de estarmos falando da força policial de uma cidade como Neópolis. Entre os casos inusitados, podemos citar a prisão de um Papai Noel telecinético por desacato a autoridade, o ataque da delegacia por um monstro gigante no melhor estilo Godzilla, só que totalmente bêbado, ou ainda a investigação do assassinato de Baldur, o deus nórdico da beleza.

A arte de Top Ten fica a cargo de Gene Ha, que possui um desenho extremamente detalhista, e seus personagens fogem ao estereótipo padrão de super-heróis encorpados e perfeitos e super-heroínas peitudas e com pouca roupa. Aliás, os detalhes que ele coloca nos cenários são tantos, que uma das diversões à parte em Top Ten é ficar caçando as referências ao universo dos super-heróis, de ficção científica e fantasia que estão na história.

Por fim, se você é uma pessoa que já está de saco cheio de ler coisas como o centésimo confronto final entre o Homem-Aranha e o Venom, ou então a milésima tentativa do Dr. Destino em dominar o mundo, mas ainda acredita que possam existir histórias de super-heróis inteligentes e divertidas por aí, então Top Ten é a HQ que você estava procurando.

DADOS TÉCNICOS

Top 10 – Contra o Crime
Alan Moore, Gene Ha e Zander Cannon
Editora Devir
208 páginas
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1 Comments:

At 10:33 AM, Blogger Razor NetOut said...

Parece legal! Outra HQ do Frank que eu gostei bastante foi Sin City hehehe... A única coisa difícil de aturar foi a crítica do Arnaldo Jabor (vulgo 'testa de bater bife') em relação ao filme... O.o

 

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