terça-feira, outubro 31, 2006

Igualdade (por Voltaire)


Que deve um cão a um cão, um cavalo a um cavalo? Nada. Nenhum animal depende de seu semelhante. Tendo porém o homem recebido o raio da Divindade que se chama razão, qual foi o resultado? Ser escravo em quase toda a terra.
Se o mundo fosse o que parece dever ser, isto é, se em toda parte os homens encontrassem subsistência fácil e certa e clima apropriado a sua natureza, impossível teria sido a um homem servir-se de outro. Cobrisse-se o globo de frutos salutares. Não fosse veículo de doenças e morte o ar que contribui para a existência humana. Prescindisse o homem de outra morada e de outro leito além do dos gansos e capros monteses, não teriam os Gengis Cãs e Tamerlões vassalos senão os próprios filhos, os quais seriam bastante virtuosos para auxiliá-los na velhice.
No estado natural de que gozam os quadrúpedes, aves e répteis, tão feliz como eles seria o homem, e a dominação, quimera, absurdo em que ninguém pensaria: para que servidores se não tivésseis necessidade de nenhum serviço?
Ainda que passasse pelo espírito de algum indivíduo de bofes tirânicos e braços impacientes por submeter seu vizinho menos forte que ele, a coisa seria impossível: antes que o opressor tivesse tomado suas medidas o oprimido estaria a cem léguas de distância.
Todos os homens seriam necessariamente iguais, se não tivessem precisões. A miséria que avassala a nossa espécie subordina o homem ao homem - O verdadeiro mal não é a desigualdade: é a dependência. Pouco importa chamar-se tal homem Sua Alteza, tal outro Sua Santidade. Duro porém é servir um ao outro.
Uma família numerosa cultivou um bom terreno. Duas famílias vizinhas têm campos ingratos e rebeldes: impõe-se-lhes servir ou eliminar a família opulenta. Uma das duas famílias indigentes vai oferecer seus braços à rica para ter pão. A outra vai atacá-la e é derrotada. A família servente é fonte de criados e operários. A família subjugada é fonte de escravos.
Impossível, neste mundo miserável, que a sociedade humana não seja dividida em duas classes, uma de opressores, outra de oprimidos. Essas duas classes se subdividem em mil outras, essas outras em sem conto de cambiantes diferentes.
Nem todos os oprimidos são absolutamente desgraçados. A maior parte nasce nesse estado, e o trabalho contínuo impede-os de sentir toda a miséria da própria situação. Quando a sentem, porém, são guerras, como a do partido popular contra o partido do senado em Roma, as dos camponeses na Alemanha, Inglaterra, França. Mais cedo ou mais tarde todas essas guerras desfecham com a submissão do povo, porque os poderosos têm dinheiro e o dinheiro tudo pode no estado. Digo no estado, porque o mesmo não se dá de nação para nação. A nação que melhor se servir do ferro sempre subjugará a que, embora mais rica, tiver menos coragem.
Todo homem nasce com forte inclinação para o domínio, a riqueza, os prazeres e sobretudo para a indolência. Todo homem portanto quereria estar de posse do dinheiro e das mulheres ou das filhas dos outros, ser-lhes senhor, sujeitá-los a todos os seus caprichos e nada fazer ou pelo menos só fazer coisas muito agradáveis. Vedes que com estas excelentes disposições é tão difícil aos homens ser iguais quanto a dois pregadores ou professores de teologia não se invejarem.
Tal como é, impossível o gênero humano subsistir, a menos que haja infinidade de homens úteis que nada possuam. Porque, claro é que um homem satisfeito não deixará sua terra para vir lavrar a vossa. E se tiverdes necessidade de um par de sapatos, não será um referendário que vo-lo fará. Igualdade é pois a coisa mais natural e ao mesmo tempo a mais quimérica.
Como se excedem em tudo que deles dependa, os homens exageraram essa desigualdade. Pretendeu-se em muitos países proibir aos cidadãos sair do lugar em que a ventura os fizera nascer. O sentido dessa lei é visivelmente: Este pais é tão mau e tão mal governado que vedamos a todo indivíduo dele sair, por temor que todos o desertem. Fazei melhor: infundi em todos os vossos súditos o desejo de permanecer em vosso estado, e aos estrangeiros o desejo de para aí vir.
Nos íntimos refolhos do coração todo homem tem direito de crer-se de todo ponto igual aos outros homens. Daí não segue dever o cozinheiro de um cardeal ordenar a seu senhor que lhe faça o jantar; pode todavia dizer: "Sou tão homem como meu amo; nasci como ele chorando; como eu ele morrerá nas mesmas angústias e com as mesmas cerimônias. Temos ambos as mesmas funções animais. Se os turcos se apoderarem de Roma e eu virar cardeal e meu senhor cozinheiro, tomá-lo-ei a meu serviço". Tudo isso é razoável e justo. Mas, enquanto o grão turco não se assenhorear de Roma, o cozinheiro precisa cumprir suas obrigações, ou toda a humanidade se perverteria.
Um homem que não seja cozinheiro de cardeal nem ocupe nenhum cargo no estado; um particular que nada tenha de seu mas a quem repugne o ser em toda parte recebido com ar de proteção ou desprezo; um homem que veja que muitos monsignori não têm mais ciência, nem mais espírito, nem mais virtude que ele, e que se enfade de esperar em suas antecâmaras, que partido deve tomar? O da morte.

Fonte: Dicionário Filosófico (Voltaire) - Comprei este livro recentemente, pois considero este cidadão um dos melhores críticos de todos os tempos! O sarcasmo dele é imbatível! Com o passar do tempo, pretendo continuar divulgando alguns trechos desta obra prima do Iluminismo.. Vale a pena!

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segunda-feira, outubro 30, 2006

Déjà-vu (Robin Lula)


Hmm... Eu acho que já vi este filme... Só que a única diferença deste para o original, é o destino do dinheiro "arrecadado", se é que vocês me entendem... ^.^

Dúvidas? Vejam por si próprios neste link. E a vida continua lalala...

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domingo, outubro 29, 2006

Laissez-faire (Lula)


Bom, aí está... Preciso dizer mais alguma coisa? Isto é uma crítica para todos aqueles que votaram "conscientemente" neste sujeito. Agora parem e pensem um pouco comigo... Se nestes últimos 4 anos o PT estava de fato preocupado em eleger novamente o seu candidato, e ainda assim zuaram o barraco... Imaginem agora... Quero dizer, agora que eles não têm nada a perder mesmo, não é verdade? Concordo que não exista um candidato perfeito, mas votar novamente neste daí só pode ser descrito de uma forma: Pura negligência. C'est la vie... >.<

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segunda-feira, outubro 23, 2006

Homem-Grilo no Frappr

A nova moda agora das comunidades na Internet é o frappr, que a grosso modo poderia ser definido como um tipo de mistura entre o orkut e o yahoo maps. Ou seja, através de marcadores no mapa, você pode ver onde estão as outras pessoas que pertencem a uma mesma comunidade que você, ou estão na sua lista de amigos. E pra não ficar de fora, resolvi criar uma comunidade do Homem-Grilo no frappr. Então, você leitor do Homem-Grilo, para fazer parte da comunidade, basta clicar no link Join! no canto superior direito do mapa.

sábado, outubro 21, 2006

HQ: O Todo Poderoso - Parte 2

Na primeira parte de O Todo Poderoso, vimos Hércules e Ajax se enfrentando numa luta de pancrácio no antigo Teatro de Dionísio. Mas a policia de Atenas chegou no local e prendeu os dois lutadores, pois essa luta fora proibida pelo prefeito Egeu e colocada na ilegalidade por pressão dos grupos conservadores que a julgam muito violenta e uma má influencia para os jovens. Isto, no entanto, não impediu que o pancrácio continuasse a ser realizadas no submundo de Atenas, para a felicidade dos ricos apostadores.

Teseu paga a fiança de Hércules e Ajax, que são libertados, e agora eles irão enfrentar um novo desafio. Eles descobrem que um estranho monstro está aterrorizando um shopping da cidade, e Hércules, entusiasmado com a chance de enfrentar um adversário a sua altura, convence Teseu a partir com ele em direção ao shopping. Que monstro será esse afinal? E será que os dois serão capazes de enfrentá-lo? Descubra essas respostas lendo a segunda parte de O Todo Poderoso.


sexta-feira, outubro 06, 2006

Trailer de 300 de Esparta

300 de Esparta
Já está disponível na internet o trailer de 300 de Esparta, adaptação cinematográfica da série em quadrinhos homônima de , que conta a versão lendária da batalha dos helenos contra os persas que aconteceu em 480 a.C. no desfiladeiro das Termópilas. Eu disse "versão lendária” pois é essa a que ficou consagrada, já que a versão histórica da batalha não é tão “glamurosa” assim.

300 foi filmado com as mesmas técnicas de Sin City, ou seja, praticamente pegaram os mesmo planos e tomadas da história em quadrinhos, e deram movimentos a elas. E pelo trailer, 300 promete ser uma das melhores adaptações de quadrinhos pro cinema.

O diretor de 300, , também está a cargo da adaptação de Watchmen, e andou dando algumas declarações a respeito, como vocês podem conferir no MDM. Ao que parece, Watchmen está em boas mãos, mas ainda acho que mesmo assim dificilmente se conseguira fazer uma adaptação que extraia toda a essência do que é Watchmen. Para chegar ao menos próximo disso, o melhor seria adaptar Watchmen para uma mini-série televisiva, de 12 capítulos. Aí sim daria pra fazer uma adaptação de qualidade, sem precisar cortar muita coisa ou ter que espremer um monte de informação em duas horas de filme. Mas enfim, talvez Zack Sbyder consiga fazer um milagre! =)

Compare Preços: dvds, hq de 300 de esparta.